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Percebo que algumas pessoas não olham para o que fazem, vão meio que atropelando sem pensar nas consequências, sem atenção ao que está acontecendo. O olhar nos olhos não tem… essas pessoas não se olham nos olhos, talvez tenha aprendido a não olhar, a não sorrir, a não se envolver, desaprenderam a se compartilhar. A consequência de não ver o outro e só ter a si e aos seus como referência, é ver o outro como coisas, não se reconhece nele, portanto, não sente empatia, o desumaniza. Esses, como um animal selvagem desenvolvem aversão ao outro.

O que queremos é uma sociedade global, com bases nos valores humanos, sem fronteiras e sem estado? Tratar o outro como a si mesmo… amar aos seus vizinhos… esse senso de coletividade está em nós. Só basta desenvolver. E o que nos impede?

Penso que existe um desvio, uma apropriação dessa necessidade humana por ‘corporações’ que sequestraram, através de ideologias, esse senso de pertencimento, nos dizendo que só através deles poderemos pertencer a coletividade humana. No convida a participar do mundo corporativo, mas em troca nos espionam, direcionam nossas publicações, definem que tipo de informação chegará até nós, tudo de acordo com uma inteligência ininteligível, exigem nosso consumo passivo dos produtos dos parceiros deles além do nosso trabalho gratuito, fornecendo conteúdo e audiência.

Penso que ficar online o tempo inteiro é bem aquele esquema que o George Orwell, no livro ‘1984’ escreveu, ele fala de uma tal de ‘teletela’, quando foi escrito ainda não existia smartphone, na história o personagem se revolta contra um sistema totalitário, me angustiava a personagem ter que se esconder da teletela quando queria fazer algo que não estava no padrão do sistema, quando li pensava no absurdo que seria ter uma teletela na sua sala te espiando, bom hoje nos filmamos gratuitamente nos tomando banho… segundo eles só consumindo o que eles oferecem poderemos pertencer, no fundo todos sentimos que tem alguma coisa estranha, que algo não é de verdade ali, incomodando essa onipresença, esse senso de novidade constante que esse modelo ideológico, receita do Orwell, nos impõe, essa felicidade e perfeição exagerada (sem o soma como no Huxley) , desnecessária e constante, da falta de frustração, o hedonismo da promoção online… mesmo com tudo esse assédio, eles não conseguem o que querem que é realizar o ser humano, essa realização, de se sentir pertencente, de olhar nos olhos e se reconhecer, só é possível quando se buscar individualmente e na presença do outro.

O que importa agora, é a tecnologia, que por trás dessa ideologia [política de privacidade], nos dá a impressão que estamos expandindo nossa percepção do mundo, nos trazendo novas formas de ver, pensar e usar as coisas, como essa tecnologia temos acesso a informação, a ausência da relação espaço/tempo (online), a queda de fronteiras (tradução online; novaligua), a consciência virtual do outro, espaço de discussão democráticos (regulado pela razão), a construção de uma sociedade virtual que regula os valores e impulsos reais (pela interferência direta no discurso e manifestação de cada um), disseminação de novas ideias, técnicas, estéticas – penso a www como um consciente coletivo estruturador de uma realidade que pode construir algum novo tipo de sociedade, assim essa tecnologia implicará numa virada antropológica.

Acredito que essa aparente resistência dos setores conservadores da sociedade é fruto dessa tocha que a é internet, penso que se o iluminismo foi motivado pelas luzes a gás das ruas da França, a luz à led vai iluminar a alma. Penso que momentaneamente essa galera, que não quer perder seus privilégios, estão corrompendo o sistema produzindo ineficiência, porém vejo como inevitável esse movimento de mudança, a constituição de uma sociedade com valores voltados ao humano será inevitável.

Mas persiste esse sentimento de mal-estar que a tecnologia trás, de se sentir vigiado, da alienação provocada, da corrupção dos valores, da distração, da competitividade, do narcisismo e pressa… Até lá como fazer aqueles que não olham para o que fazem, que não olham pro outro perceberem o outro? Como ver a foto de alguém no instagram e não sentir inveja? Como aprender por si só? Como ultrapassar o hedonismo e conforto ofertado pelas corporações? Como viver na contemporaneidade com ócio? Como viver com pouco?

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