Escravo, nem pensar!

Entre 1995 e 2013, mais de 47 mil trabalhadores foram resgatados do trabalho escravo em todos os estados brasileiros. Esse crime está presente em atividades como a construção civil, indústria têxtil, produção do carvão, cultivos agrícolas da cana-de-açúcar e soja, além de outros segmentos econômicos.

Muita gente pensa que esse tipo de exploração ainda força pessoas a trabalhar presas a correntes. Não se trata disso. Contudo, a escravidão contemporânea não é menos grave do que aquela do passado, pois a liberdade e a dignidade das vítimas continuam sendo sistematicamente violadas devido às condições desumanas a que são submetidos.

Para entender mais sobre esse fenômeno presente na nossa realidade, assista à animação Ciclo do Trabalho Escravo, do programa Escravo, nem pensar!.

circo humano

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CRIANÇA AFRICANA EM ZOO HUMANO, BÉLGICA – BRUXELAS, 1958, Fotógrafo desconhecido.

Sobre a imagem:

A criança de origem congolesa (Congo esteve sob dominação da Bélgica durante 20 anos, ocasionando a morte de milhões de congoleses, não raramente de forma brutal) é apresentada num Zoológico Humano, na imagem vemos uma mulher oferecer comida como faria com qualquer outro animal de um zoo comum

Uma exposição no museu do Quai Branly, em Paris, mostra como seres humanos considerados “exóticos, selvagens ou monstros” foram exibidos durante séculos em feiras, circos e zoológicos no Ocidente.

A exposição Exibições – A Invenção do Selvagem indica, segundo os organizadores, que esses “espetáculos” com índios, africanos e asiáticos, além de pessoas portadoras de deficiência, que tinham o objetivo de entreter os espectadores, influenciaram o desenvolvimento de ideias racistas que perduram até hoje.

“A descoberta dos zoológicos humanos me permitiu entender melhor por que certos pensamentos racistas ainda existem na nossa sociedade”, diz o ex-jogador da seleção francesa de futebol Lilian Thuram, um dos curadores da mostra – Thuram, campeão da Copa do Mundo de 1998 pela França, criou uma fundação que luta contra o racismo. Ele narra os textos ouvidos no guia de áudio da exposição.

“É difícil acreditar, mas o bisavô de Christian Karembeu (também ex-jogador da seleção francesa) foi exibido em uma jaula como canibal em 1931, em Paris”, diz Thuram.

A exposição é fruto das pesquisas realizadas para o livro Zoológicos Humanos, do historiador francês Pascal Blanchard e também curador da mostra.

Mais sobre Zoos Humanos:

Exposição relembra shows étnicos com humanos ‘exóticos’ na Europa (Link externo BBC Brasil)

(fonte!)

o que nos torna humanos?

o que nos torna humanos?

Até meados de 1960, os indígenas australianos estavam abrangidos pelo Tratado da Fauna e da Flora. Isso significava que não era considerados humanos e, como tal, poderiam ser acorrentados, escravizados, presos e até mortos, sem que tal fosse considerado crime.
Em 1967, o Governo australiano passou a considerar os aborígenes humanos, reconhecendo-lhes, finalmente, os direitos mais elementares.
Isto não foi há 100 ou 200 anos atrás, foi há cerca de 46 anos. Foi durante o nosso próprio tempo de vida, ou durante o tempo de vida dos nossos pais.
Um povo mais forte, mais astuto e com mais recursos escravizava outro, mais fraco e mais mal preparado, tirando partido do trabalho forçado dos oprimidos.
Isto foi há pouco tempo atrás e, se olharmos bem à nossa volta, não só dentro das fronteiras nacionais, mas à escala global, o que se vê é que, quanto a isso, o mundo ainda pouco mudou.